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Os inimigos da espiritualidade - Pr. John Barnett

OS INIMIGOS DA ESPIRITUALIDADE – IRA

Efésios 4.17-32


INTRODUÇÃO
Ricardo Barbosa: “Tenho observado que muitos cristãos vivem o paradoxo de um ativismo religioso incomparável e um vazio espiritual sem precedentes. Na verdade, o ativismo não é outra coisa senão a máscara que cobre o vazio racional.”

Podemos ser professores em teologia, líderes carismáticos, presbíteros e diáconos, membros ativos e ainda assim chegar à conclusão de vazio espiritual experimentado por muitos crentes

Em toda a Bíblia, tanto no AT como no NT, vemos a ênfase na espiritualidade que deve caracterizar o povo de Deus.
Êxodo fala de libertação do povo da escravidão através do sangue do cordeiro,
Levítico fala do seu andar com Deus..
O verso chave de Levítico é Lv 19.2 – “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”.
? A chave para ESPIRITUALIDADE está nos conceitos de separação e pureza. Os israelitas no seu estilo de vida tinham que ser totalmente diferentes do povo ao seu redor, na maneira que eles viviam.

Infelizmente isso não acontece hoje em dia – não há esta separação – fazemos o que o mundo faz – mentimos, fazemos jeitinhos com a nossa declaração de Imposto de Renda.
Não temos tempo para gozar comunhão diariamente com Deus – há um grande vazio espiritual em nosso coração.

É isso que vemos também na carta de Paulo aos efésios. Para estabelecer a base doutrinária da espiritualidade, o apóstolo faz um contraste entre o que éramos no passado e o que somos agora no presente (pelo menos o que devemos ser!), entre a velha vida e a nova vida, entre a vida carnal e a vida espiritual – assim ele passa para o problema de IRA.

O que éramos ANTES
A VIDA PAGÃ (Ef 4.17-19)
1. Mente vazia
2. Longe de Deus
3. Coração duro
4. Toda impureza

O que somos AGORA
A VIDA CRISTÃ (Ef 4.20-24)
1. Alunos de Jesus
- Aprendestes a Cristo
- Tendes ouvido a Cristo
- Instruídos em Cristo
2. Nova roupagem
- Despojar o velho homem
- Vestir o novo homem


I - O QUE ÉRAMOS ANTES: A VIDA PAGÃ – VIDA CARNAL(Ef 4.17-19)
“Isto, portanto, digo, e no Senhor testifico, que não mais andeis como também andam os gentios...”. Quatro coisas que caracterizaram a vida carnal:

1. Mente vazia - “... na vaidade dos seus próprios pensamentos” (v.17). - pensamentos fúteis, sem valor. Era o gasto de tempo, energia, raciocínio e inteligência em assuntos, vazios de significado. Era manter a mente ocupada com coisas pequenas, inúteis e insignificantes.
2. Vida longe de Deus - “... alheios à vida de Deus, por causa da ignorância em que vivem...” (v.18) O filho pródigo “partiu para uma terra distante, e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente” (Lc 15:13). Longe da casa do Pai.
3. Coração endurecido - “obscurecidos de entendimento... pela dureza dos seus corações” (v.18). A palavra grega para “dureza” lembra uma pedra, chamada poros, que era mais dura que o mármore. A idéia é que a pessoa vai ouvindo a Palavra de Deus e endurecendo o coração através da constante desobediência até criar uma “casca” impenetrável, onde o próprio Deus não consegue mais atingir o coração da pessoa. Daí as advertências de Hb 3:15 – “Se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração”.
4. Corpo entregue a toda sorte de impureza - “os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza”(v.19).

Esta era a nossa situação antes de aceitar Cristo – será que ainda é a nossa situação perante Deus?
Mente vazia,
Vida longe de Deus,
Um coração endurecido,
Praticam toda sorte de impureza
(vamos estudar isso no próximo domingo com Pr. JHO).

Mas esta não deve ser a nossa posição – somos espirituais – somos pessoas diferentes, e aqui Paulo descreve o que aconteceu conosco (ou deve ter acontecido!)

II - O QUE SOMOS AGORA: A VIDA CRISTÃ (Ef 4.20-24)
“Mas não foi assim que aprendestes a Cristo” (v.20). Agora, nestes versículos, Paulo fala a respeito daquilo que deve ser a vida de hoje, o que somos. A palavra “mas” indica que o que vem depois dela é exatamente contrário ao que vem antes. Isto é, em contraste com a dureza do coração, da indiferença e da insensibilidade, Paulo coloca o processo da conversão, empregando três expressões que se centralizam na pessoa de Cristo:

aprender a Cristo,ouvir a Cristo,ser instruído em Cristo.

1. A escola de Cristo (vs. 20-21)
a. “Aprendestes a Cristo” (v.20). O próprio Cristo é a substância do ensino cristão. Há muita gente querendo “evangelizar” sem Jesus. Acredite se quiser! Paulo diz que o que aprendemos foi Cristo, não apenas as palavras dEle, os milagres dEle, mas Ele mesmo. Este é o Evangelho puro - “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1:27b).
b. “Tendes ouvido a Cristo” (v.21a). Cristo não apenas é a substância do ensino como é também o próprio mestre - “o tendes ouvido”.
c. “Instruídos em Cristo” (v.21b). Jesus Cristo, além de ser o ensinador e o ensino, também era o conteúdo, até mesmo o ambiente em que o ensino era dado.

2. A nova roupagem (vs. 22-24)
Nestes versículos, o apóstolo explica o que significa a ESPIRITUALIDADE. É tirar a nossa velha humanidade como uma roupa velha e podre, e vestir, como uma roupa nova, a nova humanidade criada à imagem de Deus.
v. 22 “... quanto ao trato passado ( “quanto a antiga maneira de viver” - BLH), vos despojeis do velho homem...”. Aqui está o ponto central do Evangelho: tornar-se cristão envolve uma mudança radical. O GRANDE CONTRASTE
a. O velho homem - é o homem carnal, que anda segundo as inclinações da carne (Rm 8:5-11; Gl 5:16). A esse, Paulo conclama: “vos despojeis do velho homem”. Significa despir a natureza corrupta, assim como desejamos tirar uma roupa suja ou esfarrapada. Tudo que está no lado esquerdo da tela – TODA ESTA ROUPA SUJA JÁ TIRAMOS!.
b. O novo homem - este é renovado “no espírito do vosso entendimento” (v.23). Conversão é mudança de pensamento. É tirar a roupa suja e colocar o roupa nova, é sobretudo, ser renovado no homem interior. O velho homem era dominado por paixões proibidas (não apenas sexuais); o novo homem foi criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade (v.24). Agora somos pessoas espirituais.
• Deixe Deus criar um novo homem em você! “Se alguém está em Cristo, é nova criatura.; as coisas antigas já passaram, eis que fizeram novas”


III. O GRANDE INIMIGO DA NOSSA ESPIRITUALIDADE: IRA
Depois de ter mostrado a nova vida que temos em Cristo, Paulo passa a mostrar a diferença que deve haver, como crentes espirituais, em várias áreas da nossa vida: o problema da mentira, da ira, do roubo, da nossa fala, etc.- Efésios 4:25-31

Hoje estamos considerando um dos inimigos da nossa espiritualidade que é a IRA.

PAULO nos ensina a respeito de ira:
v. 26-27: “Irai-vos e não pequeis” (ARA) “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apazigúem a sua ira antes que o sol se ponha e não dêem lugar ao Diabo” (NVI)
v.31: “Livrem-se de toda a amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade”

“Não perca a calma, mas controle-se” (v.26) (Stott)

SALOMÃO em Ec 7.9 – “Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos”
TIAGO 1.19-20: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.”
Mas o melhor comentário sobre IRA é do próprio Senhor Jesus no Seu grande ensino no Monte – Mateus 5.21-26
CRISTO – “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás ... Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento”.
Definição da palavra IRA no DICIONÁRIO DE HOUAISS:
intenso sentimento de ódio, de rancor, dirigido a uma ou mais pessoas em razão de alguma ofensa, insulto etc., ou rancor generalizado em função de alguma situação injuriante; fúria, cólera, indignação.

1. Sentimentos de ira (v. 21-22)

É incrível a maneira que Jesus torna pequena a divisão entre assassinato e ira! “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás ... Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento”.
Ele convoca os Seus seguidores a uma posição mais abrangente sobre esta questão.
A interpretação errada do sexto mandamento é limitá-lo ao ato físico de assassinato. Jesus vai até o interior do coração onde os pensamentos começam e, de lá, levam para o ato de matar. Os seguidores de Jesus não somente não praticam o homicídio, mas nem mesmo dão lugar à ira por meio da qual poderia destruir o irmão. A ira precede o homicídio e é destruidora de relacionamentos. E começa em nossos pensamentos.... e se expressa em

2. Palavras de ira (v. 22)
Jesus nos mostra que palavras cheias de ira são tão más quantos sentimentos de ira, talvez mais! Tiago nos lembra da necessidade de controlar a nossa língua – “A língua é fogo; é mundo de iniqüidade ... contamina o corpo inteiro ... A língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero”. (Tg 3.6,8). Por causa disso, Paulo nos ensina em Ef 4.31 – “Longe de vós, toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia”. SANGUE ESCOCÊS!
Veja o ensino de Jesus:

a. Quem se irar contra seu irmão com palavras será réu de juízo
A Ira, que pode induzir ao assassinato, é uma ação tão criminosa quanto ao assassinato.
b. Quem dizer ao seu irmão – “Você não vale nada” será réu da liderança da igreja (sinédrio). João na sua primeira carta diz: “todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (1Jo 3.15)
c. Quem dizer ao seu irmão – “Patife” ou “idiota” será réu do fogo do inferno.
É alguém que diz para seu irmão: Vá para o inferno!”. Tal pessoa está ele mesmo em perigo de inferno.

3. EXEMPLOS BÍBLICOS DE IRA
Esaú (ira contra seu irmão) – Gn 27.41-42 – “Passou Esaú a odiar a Jacó ... materei a Jacó, meu irmão.”
Moisés (bateu na rocha) – Nm 20.7-13 Deus falou com Moisés em Meribá para falar a rocha e dará a sua água. Mas Moisés tinha tanta raiva do povo, que feriu a rocha duas vezes com seu bordão. O resultado foi que Moisés não podia entrar na terra prometida.
Pedro (cortou a orelha do servo) – Jo 18.10-11 – Lá no Jardim de Getsêmani os soldados vieram para capturar Jesus, Pedro cortou a orelha do servo do Sumo Sacerdote

4. Ira justa (Ef 4.26)
“Irai-vos e não pequeis”. “Aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão” (Mt 5.22). Nem toda ira é maligna, conforme evidencia-se da ira de Deus, que sempre é santa e pura.

Jesus várias vezes demonstrou ira:
No templo (Mt 21.12): quando Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derrubava as mesas dos cambistas, etc.
Com a hipocrisia dos Fariseus (Mt 23.17): quando Jesus chamou os fariseus “insensatos e cegos”
Com a atitude dos fariseus na sinagoga (Mc 3.5): quando Jesus viu a dureza do coração dos fariseus e a falta de compaixão pelo homem com a mão ressequida, olhando-os ao redor, ficou “indignado e condoído”

Quantos vezes os profetas e salmistas falam da ira de Deus (Is 30.27 – “Eis o nome do Senhor vem de longe, ardendo na sua ira” – (Jr 23.20). Sua ira faz parte do Seu amor. Ira é a reação de Deus contra o pecado e a injustiça. Cristo não demonstrou ira quando alguém fez algo contra Ele. Quando foi preso, julgado, torturado, condenado e crucificado sem motivo nenhum, “Não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças” (1Pe 2.23). Enquanto Ele ficou pendurado em agonia, atacado, oprimido e rejeitado, Ele não disse: “Tenho razão de ficar irado”; em vez disso, Ele falou: “Pai, perdoa-lhes ...”

Para nós há um lugar para ira justa – não quando nós somos ofendidos, mas, sim,
indignação com a injustiça ao nosso redor-uma lei para os ricos e outra para os pobres;
ira justa contra a pedofilia – o abuso sexual de crianças;
ira justa contra a corrupção praticada por tantos políticos, a crise moral no Senado.

A dificuldade que enfrentamos como pessoas humanas pecaminosas é fazer tudo para não pecar quando demonstramos a ira. Nossa ira geralmente não é justa

Ainda que sejamos de temperamento difícil, ou explosivo, não se justifica que firamos o nosso próximo com palavras e atitudes.

Paulo apresenta, nos versos 26 e 27, três coisas que não devemos fazer:

a. “Não pequeis”; b. “Não se ponha o sol sobre a vossa ira”; c. “Não deis lugar ao diabo”.

5. Como tratar da ira
JESUS ENFATIZA A NECESSIDADE DE RECONCILIAÇÃO IMEDIATA
O oposto de ira e do homicídio é a reconciliação com o irmão – a restauração de relações sadias na família de Deus. Há crentes que ficam anos e anos irados com membros da sua própria família. Veja o conselho de Bonhoeffer: “Quem, com o coração não reconciliado, vem ouvir a Palavra de Deus e receber o sacramento da santa ceia, recebe-os para juízo. Perante Deus é totalmente homicida.”

Stott traduz a ilustração em palavras mais atuais: “Se você estiver na igreja, no meio de um culto de adoração, e de repente se lembrar de que seu irmão tem um ressentimento contra você, saia da igreja imediatamente, e vá fazer as pazes com ele. Não espere que o culto termine. Procure seu irmão e peça-lhe perdão. Primeiro vá, depois venha. Primeiro vá reconciliar-se com o seu irmão, depois venha e ofereça sua adoração a Deus”

O QUE SOMOS? CRENTES CARNAIS OU CRENTES ESPIRITUAIS

Somos novas criaturas – somos espirituais e não carnais!

VAMOS ORAR A DEUS – CONFESSAR A NOSSA IRA –
E FAZER RECONCILIAÇÃO HOJE MESMO!

Você xingou a esposa/o esposo? Já pediu perdão? Há outro parente com quem você ficou irado? Faz tempo que não fala com ele/ela?
Você tem gritado às crianças? Ficou irado com elas? Já pediu perdão?
Você explode com facilidade? Já fez isso com alguém na igreja? Já pediu perdão.
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