O Que a Bíblia Fala Sobre o Assunto
Por Dionatan Cardoso
INTRODUÇÃO
Devido ao relaxamento de alguns padrões bíblicos, e também, tradicionais da família, vividos no contexto pós-moderno, faz-se necessário um alerta expressivo quanto ao Sexo Antes do Casamento. Pecado conhecido tradicionalmente como “fornicação”.
O objetivo deste artigo é conscientizar o povo de Deus, especialmente adolescentes e jovens, da importância da ausência de sexo antes do casamento entendendo o projeto de Deus com respeito à relação sexual.
Não tenho a intenção de apresentar idéias inovadoras, mas de reafirmar a postura bíblica de que o ato sexual só pode ocorrer dentro do casamento.
1. O QUE SIGNIFICA FORNICAÇÃO
Definição dos dicionários: “relações sexuais ilícitas (entre pessoas solteiras)” . Do grego “pornoi ”, indica qualquer tipo de imoralidade (desvio sexual). Algo que muda ou interrompe a ordem natural da relação sexual criada por Deus.
Fornicação é o termo usado tradicionalmente para acusar o pecado da relação sexual antes do casamento.
2. LANÇANDO O FUNDAMENTO
Nossa fonte de regra fé e prática é a Bíblia (2Tm 3.16,17). A base central dos argumentos estabelecidos nesse artigo é a Bíblia. Por isso, o primeiro passo é definir, através de argumentos bíblicos, qual é o projeto original de Deus com relação ao ato sexual e quando ele é permitido na vida de dois indivíduos.
2.1 Macho e Fêmea
Deus criou seres humanos como seres sexuais, ou seja, macho e fêmea. Em Gênesis 2.27 podemos ver claramente a distinção entre macho e fêmea na criação. Na primeira vez, no verso, que aparece a palavra “homem”, o termo hebraico é: “adam aw-dawm”, que significa: humanidade (designação da espécie humana – homem e mulher). Porém, na segunda aparição da palavra “homem” o termo hebraico muda para “zakar”, que significa: macho. O hebraico para a palavra “mulher” é: “naqebah”, que significa fêmea. “Deus criou os seres humanos macho e fêmea, prevendo e prescrevendo sua união sexual (Gn 2.18-25)”
2.2 Um Homem e Uma Mulher
Deus criou o homem (macho), e posteriormente a mulher com a finalidade de uni-los, tornando-os “uma só carne.” Gênesis 2.24 “enfatiza a completa identificação das duas personalidades no casamento. A passagem nos diz que Deus instituiu o casamento e que este deve ser monogâmico, heterossexual, a união completa entre “duas” pessoas (homem e mulher).” Deus reafirma esse padrão em Marcos 10.7-9 e Efésios 5.31. Notem também em 1 Coríntios 7.2 a ênfase que Paulo apresenta: “Cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” “Ele efetivamente excluía a poligamia de qualquer tipo que fosse” . Isso também significa que uma vez consumado o casamento a união é permanente até que a morte os separem (cf. 1Co 7.39,40; Mc 10.7-9).
2.3 Sexo, só no Casamento
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, quando avaliam o sexo simplesmente como uma satisfação pessoal ou um momento de êxtase, a relação sexual é um selo de compromisso e lealdade instituído por Deus na vida de duas pessoas dispostas a se unirem no laço ou aliança matrimonial.
“Parece que Deus quis que a profunda intimidade proporcionada pela relação sexual tivesse a função de atuar como um fator de concórdia, entendimento, conciliação.”
No Antigo Testamento encontramos alguns indícios de que Deus sempre condenou o ato sexual antes de um compromisso de aliança firmado entre as partes (casamento). Veja Êxodo 22.16,17: “Se alguém seduzir qualquer virgem que não estava desposada e se deitar com ele, pagará seu dote e a tomará por mulher. Se o pai dela definitivamente recusar dar-lha, pagará ele em dinheiro conforme o dote das virgens.” Nota-se que na Lei se uma moça fosse “maculada”, machada pelo ato sexual antes do casamento, estando ela noiva, o homem era considerado culpado e era obrigado a pagar um dote ao pai da moça. Também se fosse da vontade do pai, teria que se casar com ela. (cf. Dt 22.28,29).
No Novo Testamento, encontramos na epístola de Paulo uma orientação clara sobre o assunto: 1Co 7.1,2; 9 - “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. [...] Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.”
1. “A expressão ‘tocar em mulher’ é um eufemismo para o ‘ato sexual’ (cf. Gn 20.6; Pv 6.29) ”. Fee sugere uma tradução ainda mais direta: “ter relações com. ”
2. “... mas por causa da imoralidade” – KISTEMAKER afirma que Paulo está literalmente dizendo: “Por causa das fornicações.” Em 1 Tessalonicenses 4.3 Paulo volta exortar aos leitores a que evitem a “fornicação”: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual.” (NVI).
3. “... cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” – A incapacidade que alguns têm de se preservarem puros sexualmente até ao casamento as induz ao pecado. Para evitar que pequem, Paulo recomenda que se casem logo e mantenham uma aliança monogâmica. É importante frisar que Paulo não está colocando a falta de controle hormonal como única condição para o casamento, lembrem-se que ele está tratando com a igreja em Corinto que vivia uma grande imoralidade. Ele está simplesmente afirmando: “Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.”
Um bom exemplo bíblico que podemos usar para defender a necessidade da preservação da virgindade até o casamento é o de José com Maria (Cf. Mt 1.18). José e Maria estavam noivos na ocasião em que Maria engravidou pelo Espírito Santo (Cf. Mt 1.20). Era costume da época, considerar o período de noivado (normalmente um ano) um período tão sagrado que os dois eram tidos como cônjuges (Cf. Gn 29.21; Dt 22.23-30). Mesmo assim podemos observar no verso 18 de Mateus 1, que eles mantinham-se virgens, esperando a consumação do casamento. Era uma relação sem mácula entre ambos (Cf. Hb 13.4).
Neste ponto, uma pergunta que pode estar permeando a mente do leitor é: o que de fato é o casamento? Quando ele é consumado na vida de dois indivíduos? Sugiro a leitura do artigo “O Que É Casamento”, de Alan D. Myatt, no site www.monergismo.com, na seção sobre “sexualidade”.
Vejamos a seguir quais componentes fazem parte do padrão de Deus para o relacionamento entre Suas criaturas (casamento).
3. O PADRÃO DE DEUS PARA O CASAMENTO
Deus, desde a criação, vem se relacionando com a humanidade através de pactos, alianças (Cf. Gn 3.15; 9.1-17; 12.1-7; Êx 20-23; Dt 28-30; 2Sm 7.10-16; Gl 3.8; Jr 31.31-34). O casamento, relacionamento entre as criaturas de Deus, não pode fugir as primícias da aliança. “Um casamento só é cristão se realizado na dimensão cristã; na perspectiva da aliança. ” Aliança significa “compromisso entre as partes.”
Usaremos os versículos de Gênesis 2.23-24 como chave para o entendimento acerca da consumação do casamento: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.” (NVI).
Argumento 1: “Deixar”
O termo não defende a idéia de que os pais são abandonados, mas afirma uma confirmação de proximidade entre ambos que não envolve os pais nem qualquer outro membro da família. Há um limite entre o casal. Eles têm que aprender conviver, relacionar-se num ambiente que envolverá apenas os dois. Posteriormente isso implicará, também, na educação dos filhos. “Deixar significa deixar, não apenas no sentido físico, mas no sentido de independência verdadeira.”
Argumento 2: “Unir”
“A união do casal aqui é mais do que apenas um relacionamento casual. A palavra hebraica (debeq) significa “apegar-se a” ou “grudar-se”, tanto no sentido literal como figurado. Ela descreve o modo como as partes do corpo se apegam (Jó 19.20), e o sentido de lealdade a um amigo e líder amado (Rt 1.14; 2Sm 2.20). A mesma palavra é usada para descrever a soldagem ou junção das juntas do revestimento num pedaço da armadura usada pelo rei (1Rs 22.34). O ponto é esse “apegar-se a” é algo que assume o papel de uma ligação que não pretende-se que seja quebrada. [...] Essa união implica no fato de que o casamento deve ser selado tanto como um relacionamento pactual (aliança) entre homem e mulher, bem como um contrato legal firmado diante da autoridade civil. O primeiro é necessário pelo fato de que o “apegar-se” envolve o fazer promessas solenes nas quais um se compromete ao outro, enquanto o último fornece os meios para a sociedade manter as partes responsáveis por guardar suas promessas (Rm 10.9,10). [...] Falhar em se fazer um pacto legalmente obrigatório é apenas um sinal de que não há definitivamente nenhum compromisso real. Isso significa que uma ou ambas as partes está usando a outra mais como um meio para satisfazer seus próprios desejos egoístas do que um verdadeiro e incondicional doar de si em amor.”
Argumento 3: “Uma só carne”
“Tornar-se uma só carne significa uma união profunda e crescente entre marido e mulher.” Não é o simples fato da união sexual, uma questão meramente biológica, mas uma união física e espiritual entre as partes. Daí a importância de não haver o julgo desigual (2Co 6.14-18). A luz não faz união com as trevas. O ato sexual, como visto anteriormente, é o que vai consumar o compromisso de lealdade entre as partes, mas só pode ocorrer após todos os passos anteriores.
CONCLUSÃO:
Com esses pressupostos o casal estará dizendo, perante Deus, e perante a Igreja, que sustentarão esse compromisso durante toda vida. Nenhum sabe mais que o outro, ambos aprenderão juntos. Agora, o sexo é bênção de Deus para o casal, expressão de amor e forma de comunicação. Ambos se tornaram uma só carne (Mc 10.8).
O que Deus projetou para o homem (Gn 2.24) cumpre ao homem aceitar e obedecer. O padrão de Deus determina um caráter santo e piedoso. O rompimento desse padrão implica em punição (Cf. Rm 1.26,27).
Seja com relação ao ato sexual, seja para qualquer outra área da vida, melhor é obedecer a Deus que seguir as práticas do mundo (Cf. 1Jo 2.15-17). Preservar-se puro até o casamento significa gozar de grande privilégio na lua de mel.
| Índice |