“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Assim, pois, seguimos as coisas da paz e as da edificação de uns para com os outros.” Rm 14:17-19
Possivelmente, o assunto mais comentado hoje em dia seja a questão da violência. O Brasil está perdendo a guerra contra a violência, de norte a sul, de leste a oeste, nas grandes e pequenas cidades, em todas as classes sociais. Os brasileiros estão sendo vítimas diárias de assaltos, sequestros, assassinatos, brigas e agressões. Está se cumprindo o que Paulo dissera a Timóteo, que nos últimos dias os homens seriam implacáveis e sem domínio de si (2 Tm 3.3). Estamos revivendo Ezequiel 7.23, que diz: “Faze cadeias, porque a terra será cheia de crimes de sangue, e a cidade, cheia de violência”.
Mas o reino de Deus é de paz (Rm 14.17). Se há tanta violência é porque há também um reino não de Deus, corrupto, caído, deformado, governado por um príncipe que atua sobre os filhos da desobediência (Ef 2.2).
O desafio que temos é o de “seguir as coisas da paz”. A Paz da Bíblia não é estática e nem barata; ela é construída sobre de valores e princípios específicos. A paz de Deus deve ser buscada (Rm 12.18), seguida (Rm 14.19; Hb 12:14), cultivada (Gl 5.22) e anunciada (Ef 2.17), pois a paz completa e perfeita foi estabelecida mediante o sangue da Jesus (Cl 1.20).
Como podemos então fazer parte na construção da paz do Reino de Deus? As Escrituras nos dão o caminho para isso:
Precisamos construir a paz através do alicerce que é Jesus - Todo homem é chamado a reconciliar-se com Deus através de Cristo (2 Co 5.19). O pecador pode abrir-se para Deus, recebê-lo em seu coração e experimentar uma mudança de caráter através de Cristo. Assim, homens violentos se tornam amigos de Deus e passam a perseguir a paz. O apóstolo Paulo é um bom exemplo. Ele foi reconciliado com Deus através de Jesus; a partir de então ele passa a pregar a paz.
Podemos desenvolver a paz nutrindo confiança em Deus - Aquele que já foi encontrado por Jesus experimenta uma paz enquanto ora (Fl 4.6-7). Mesmo sendo grande suas lutas e tormentas, o salvo se vê guardado em seu mundo interior com uma paz que ninguém pode tirar dele. Esta paz independe das
circunstâncias, é baseada nas promessas do Senhor (Jo 14:27).
Podemos contribuir para a construção da paz vivendo de maneira justa - O texto de Romanos 14.17 nos indica que a justiça precede a paz. O salvo tem fome e sede justiça (Mt 5.6). A cadência deste texto é impressionante: justiça, paz e alegria. Sem justiça não há paz, sem paz não há alegria.
O primeiro passo é a justiça. Buscamos a justiça para as crianças, para as mulheres, para os deficientes, para os negros, para os excluídos, para a criação, enfim, para todas as pessoas e criaturas.
Foi buscando a justiça que John Wesley pregou contra a escravidão nos portos da Inglaterra; foi amando a justiça de Deus que Lutero promoveu a reforma religiosa no século XVI; foi firmado na justiça que Martin Luther King buscou a igualdade racial nos Estados Unidos. Os salvos amam e buscam a justiça para todos.
Construímos paz vivendo e ensinando a justiça onde estamos colocados. Ansiamos pelos valores do novo céu e da nova terra, onde habitam a justiça (2 Pe 3.13).
A conclusão do verso 17 de Romanos 14 é que havendo justiça e paz, haverá também alegria. Felicidade completa só é possível com a paz com Deus, a paz interior e a paz social com justiça.
Tendo uma experiência pessoal com Jesus, uma dependência de Deus em oração e brilhando no meio das trevas com boas obras, construiremos a paz, pois o Reino de Deus é paz.
Sabemos, pelas Escrituras, que a verdadeira paz somente será plena no céu, mas podemos, ainda que de forma diminuta, trabalhar para que o lugar onde vivemos seja melhor, mais justo, com mais segurança e paz. Acima de tudo devemos apresentar a este mundo caído aquele que é o príncipe da paz. Que Deus nos ajude nesta tarefa.
Pr. Luiz César
