A CONVERSÃO DE ARTHUR W. PINK

Nenhum pastor ou estudante sério das Escrituras pode ignorar a importância da obra do puritano Arthur W. Pink. Seus escritos influenciaram cristãos em todo o mundo, incluindo o renomado pregador Martyn Lloyd-Jones. Entretanto, mais do que sua produção teológica, há um aspecto marcante de sua história que merece atenção especial: o zelo espiritual de seus pais, especialmente no ensino perseverante da Palavra de Deus.

Desde cedo, os pais de Pink tinham o hábito de ler a Bíblia com ele e com seus irmãos. Contudo, durante sua infância e juventude, Arthur não levou essas instruções tão a sério. Na fase adulta, acabou se tornando membro de uma sociedade teosófica, cujo princípio central era a busca do chamado “conhecimento”, desvinculado da revelação bíblica.

Apesar disso, todas as noites seu pai mantinha um gesto simples e constante: aguardava Arthur antes de dormir, desejava-lhe boa noite e lia um versículo das Escrituras. Esse hábito, aparentemente singelo, revelou-se profundamente significativo.

Certa noite, em 1908, quando Arthur tinha cerca de vinte e dois anos, ele retornou apressadamente de uma reunião da Sociedade Teosófica. Enquanto subia as escadas para o quarto, ouviu seu pai ler Provérbios 14:12:

“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte.”

Arthur entrou em seu quarto decidido a preparar um discurso que apresentaria naquela mesma semana à sociedade. Contudo, o versículo ecoava de forma insistente em sua mente, impedindo-o de se concentrar. Tentou distrair-se, tomou um banho, mas não conseguiu escapar da inquietação espiritual.

As palavras de Provérbios, juntamente com muitas outras passagens bíblicas aprendidas na infância, começaram a inundar seus pensamentos. Tomado por profunda convicção, Arthur caiu de joelhos e clamou a Deus em oração. Naquela noite, reconheceu seu erro, e Cristo tornou-se real para ele. Sua conversão foi marcada por intensa luta interior e sincero arrependimento.

Pink permaneceu trancado em seu quarto por quase três dias, enquanto seus pais perseveravam em oração. Quando finalmente saiu, era um homem transformado. Ao vê-lo, seu pai exclamou emocionado: “Louvado seja Deus, meu filho se entregou!”

Entretanto, um desafio imediato se apresentava. Arthur havia assumido o compromisso de discursar na reunião da Sociedade Teosófica na sexta-feira seguinte. Os membros aguardavam com expectativa, pois ele estava prestes a tornar-se um de seus líderes. O que ele faria agora?

Pink decidiu manter o compromisso, mas com um propósito totalmente diferente. Compareceu à reunião e, em vez de defender a teosofia, pregou Romanos 1:16:

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.”

O resultado foi imediato: Arthur foi expulso da reunião. Ali encerrava-se definitivamente sua ligação com a teosofia.

Mais tarde, Pink afirmou não ter qualquer dúvida quanto à autenticidade de sua conversão. Para ele, tratou-se de uma libertação do poder de Satanás, realizada exclusivamente pela graça de Deus.

Essa história ressalta de forma poderosa o papel dos pais na formação espiritual de seus filhos: o ensino fiel das Escrituras, a perseverança na oração e a apresentação constante do evangelho. A conversão é, sem dúvida, uma obra soberana do Espírito Santo e uma dádiva divina. Ainda assim, Deus nos concede o privilégio de participar desse processo por meios simples e fiéis.

A fé salvadora nasce no coração daquele que ouve a Palavra do Senhor. Que Deus nos ajude a cumprir essa santa responsabilidade.