No domingo, dia 04 de outubro, teremos eleições majoritárias em nosso país. É um dia de decisões importantes, que terão consequências para a vida de todos nós. Em períodos assim, somos cercados por muitas informações, opiniões, discursos e promessas. Cada candidato procura apresentar suas ideias e conquistar a confiança dos eleitores. Também surgem debates intensos, críticas, acusações e, muitas vezes, informações que precisam ser examinadas com cuidado.
O cristão não deve fugir da responsabilidade de participar da sociedade. Entretanto, precisa lembrar que sua principal referência não é um partido, um candidato ou uma ideologia. Nossa referência é a Palavra de Deus. O Salmo 1 apresenta princípios importantes para vivermos com sabedoria em qualquer período de decisões.
1. Não devemos seguir todo conselho que ouvimos - O salmista declara: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1.1).
O princípio é muito atual. Em períodos eleitorais, muitas vozes procuram influenciar nossa maneira de pensar. Recebemos mensagens pelas redes sociais, ouvimos discursos, acompanhamos debates e conversamos com pessoas que possuem diferentes opiniões. Precisamos ter cuidado para não aceitar tudo o que ouvimos. Nem toda informação é verdadeira. Nem toda acusação é justa. Nem toda promessa será cumprida. Nem todo discurso representa a realidade.
O cristão precisa desenvolver discernimento. Não deve ser conduzido simplesmente pela emoção, pela raiva, pelo medo ou pela pressão de outras pessoas. Isso também vale para a maneira como falamos. O período eleitoral não deve nos transformar em pessoas agressivas, que espalham acusações, ofendem aqueles que pensam diferente ou rompem relacionamentos por causa de escolhas políticas. Nossa fé é maior do que nossas diferenças políticas.
2. Precisamos seguir o conselho de Deus - O versículo 2 apresenta o caminho positivo: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.
A Bíblia deve continuar sendo nossa referência, inclusive quando participamos das decisões da sociedade. Meditar na Palavra significa permitir que os princípios de Deus orientem nossa maneira de pensar e agir. Isso envolve honestidade, justiça, verdade, respeito, responsabilidade e amor ao próximo. Em uma eleição, cada cidadão precisa exercer sua responsabilidade de acordo com sua consciência. O cristão, porém, deve procurar fazer isso sem abandonar os valores que aprendeu na Palavra de Deus. Não devemos transformar nenhum candidato em salvador da sociedade. Governos são importantes, autoridades possuem responsabilidades, mas somente Deus é Senhor absoluto da história.
3. Precisamos produzir bons frutos - O salmista compara aquele que confia no Senhor à “árvore plantada junto à corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto” (Sl 1.3).
Essa árvore possui raízes profundas. Ela não é levada por qualquer vento. Essa deve ser também a vida do cristão. Podemos participar dos debates da sociedade, ter nossas convicções e exercer nosso direito de escolha, mas sem permitir que a política determine nossa identidade, nossa comunhão ou nosso testemunho cristão. Em tempos de eleição, precisamos continuar sendo uma igreja que ama, serve, evangeliza e que ora por suas autoridades. Que nossas palavras sejam equilibradas. Que nossas atitudes sejam respeitosas. Que nossas escolhas sejam responsáveis. E que, acima de tudo, nossa vida continue produzindo frutos para Deus.
As eleições fazem parte da vida de uma sociedade. Elas apresentam escolhas e trazem consequências. Por isso, precisamos participar com responsabilidade, discernimento e consciência. O Salmo 1 nos lembra que existem caminhos que devemos evitar e um que devemos seguir.
Não devemos ser conduzidos simplesmente pelas muitas vozes ao nosso redor. Devemos permanecer firmes na Palavra de Deus. Que, em meio às disputas eleitorais, a Igreja não perca sua identidade. Que não troquemos a unidade do corpo de Cristo por diferenças políticas. Que não permitamos que uma eleição determine nossos relacionamentos ou nosso testemunho. Nossa esperança final não está em homens. Nossa esperança está no Senhor.
Que sejamos como a árvore plantada junto às águas: firmes, equilibrados, frutíferos e profundamente enraizados na Palavra de Deus. Assim, mesmo vivendo em tempos de muitas escolhas, continuaremos construindo uma vida que honre a Deus e glorifique o nome do nosso Senhor Jesus Cristo.
Pr. Luiz César
